terça-feira, 28 de novembro de 2017

Experimentando posturas, treinando o controle motor

A criança experimenta as posturas antes de adquirir o controle motor que possibilite sua execução de forma independente.
Isso significa que é muito importante estimular essas posturas de forma adequada, enviando estímulos ao cérebro quanto à força muscular exigida, quais as regiões recrutadas para manter a posição, informações sensoriais, de equilíbrio e controle.
Novas conexões cerebrais se formam quando enviamos esses estímulos com frequência, de forma intensa e repetitiva.

A importância da conexão entre terapeuta e paciente

O resultado das terapias também é reflexo da conexão entre Fisioterapeuta e paciente.
Desde muito cedo é preciso estabelecer uma conexão segura e uma linha de comunicação para que o paciente se sinta acolhido e motivado.
A construção do vínculo com cada paciente também é uma meta terapêutica. O ambiente de acolhimento e amor é fundamental para que bebês e crianças com deficiência se desenvolvam e se sintam seguras, diminuindo episódios de choro, de apatia e de recusa em fazer as atividades propostas, principalmente quando a criança faz muitas terapias precocemente.

Fisioterapia e Terapia Ocupacional: Juntas no treino de marcha

Crianças com paralisia cerebral geralmente têm dificuldade na percepção de profundidade e no equilíbrio, dificultando o desenvolvimento da marcha independente.
A atuação do Fisioterapeuta em conjunto com o Terapeuta Ocupacional é altamente eficaz para trabalhar estes e outros aspectos relacionados à marcha.
Para a melhora do padrão da marcha, muitas vezes precisamos trabalhar o equilíbrio, o alongamento, a postura, o fortalecimento muscular e o condicionamento físico. Os aspectos sensoriais são trabalhados na terapia de integração sensorial.
Com melhor organização motora e sensorial, o padrão da marcha também é aperfeiçoado em crianças que já estão andando sozinhas, com muletas ou andador.

Principais dificuldades durante o crescimento da criança com paralisia cerebral

Durante o crescimento da criança com deficiência, várias etapas apresentam dúvidas, apreensão e muitas vezes a família se sente perdida. Vamos falar sobre algumas dessas fases e possíveis soluções:
• Transição do carrinho de bebê para a cadeira de rodas.
Problema: O bebê cresce e o carrinho não serve mais.
Possível solução: O correto é começar o uso da cadeira de rodas o quanto antes. O uso precoce da cadeira pode prevenir uma série de problemas ortopédicos futuros. Usar uma cadeira de rodas nem sempre significa que a criança não vai andar!
• Problema: as fraldas de bebê não servem mais.
Possível solução: A maior fralda de bebês nacional é a Pompom grandinhos, existem algumas marcas importadas em tamanho maior que são encontradas em algumas regiões do Brasil. As fraldas para adultos em tamanho P podem ser indicadas também. As marcas Tena e Bigfral são as mais conhecidas.
• Problema: a criança está em idade escolar e não frequenta a escola.
Possível solução: Sabemos o quanto é difícil encontrar escolas regulares que façam um trabalho adequado de inclusão ou mesmo que aceitem a criança com deficiência. A Lei Brasileira de Inclusão assegura o direito da criança à escola, pode dar trabalho, mas é necessário correr atrás dos direitos da criança. Enquanto a escola não estiver decidida, é possível encontrar uma escola especial ou mesmo conversar com os terapeutas para que um plano de estimulação cognitiva seja feito.
• Problema: meu filho não ganha peso
Possível solução: Se todas as tentativas de estimulação orofacial com o Fonoaudiólogo já tiverem sido feitas e, tanto os médicos quanto os terapeutas indicarem a gastrostomia, é porque o procedimento pode ajudar a criança globalmente, com aporte nutricional, hidratação e ganho de peso para melhor desempenho nas terapias, na escola e nas atividades do dia-a-dia.
• Problema: meu filho não dorme
Possível solução: Conversar com médicos e terapeutas para que haja orientação quanto às possibilidades para resolução dos problemas. Há algumas opções: medicação, melatonina, terapia crânio-sacral, controle da espasticidade e do refluxo, porém, tudo deve ser feito com orientação médica.
• Problema: Meu filho não cabe mais na cadeira do carro.
Possível solução: Existem carros (com isenção de impostos) que podem ser adaptados para transportar a criança junto com a cadeira de rodas. Há também cintos que são colocados na poltrona e cadeiras de crianças que podem ser adaptadas.
• Problema: A banheira de bebê não serve mais.
Possível solução: Existem banheiras específicas para crianças e adultos com deficiência. Há opções de acordo com o tamanho da criança, peso e necessidade de suportes/apoios. O Terapeuta Ocupacional é o profissional que orienta o modelo adequado.

Relatório do Intensivo de Therasuit: um documento valioso!

Quando recebemos uma criança para o intensivo de Therasuit, além da avaliação minuciosa, solicitamos relatórios dos terapeutas que a atendem, e analisamos exames, como eletroencefalograma, raio-x, videodeglutograma, e etc.

Após esta etapa preparamos um planejamento específico para cada criança no Therasuit. Já falamos que, embora seja um método, o Therasuit é feito de forma personalizada e individual, o que depende muito da avaliação que fazemos e do planejamento que é criado.

Quando a criança finaliza o intensivo, é a nossa vez de preparar um relatório bem detalhado, com informações sobre a criança, diagnóstico, objetivos em curto, médio e longo prazos, os ganhos obtidos no Therasuit, e tudo o que precisa ser trabalhado daquele momento em diante. Orientamos quanto ao uso de órtese, de andador, de parapodium, enfim, em quais momentos a criança poderá utilizar os recursos e de que forma.

O relatório é um documento para ser lido e compartilhado com a equipe que atende a criança, médicos, terapeutas e profissionais que atuam na escola. Através dele é possível analisar o desenvolvimento da criança, saber sobre seu potencial de desenvolvimento e planejar atividades com um mesmo objetivo.


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Bomba de Baclofeno e Baclofeno no Tratamento da Espasticidade: saiba a diferença e como agem no organismo

O tratamento para espasticidade é sempre um desafio. Na parte terapêutica, a fisioterapia diária, a terapia ocupacional e a hidroterapia são muito importantes. Quando a espasticidade afeta apenas alguns grupos musculares, a aplicação de toxina botulínica pode ajudar muito, mas quando o quadro de espasticidade é global, o relaxante muscular (baclofeno) também pode ser indicado.

Mas sempre é importante ficar atento aos efeitos colaterais do baclofeno, que podem incluir:


  • Sonolência;
  • Tontura;
  • Fraqueza;
  • Náusea;
  • Dor de cabeça;
  • Piora da deglutição quando a criança tem disfagia.


Quando há um quadro de espasticidade grave e crises de espasmos com dor, a bomba intratecal de baclofeno pode ser indicada.

A bomba de baclofeno, como o próprio nome diz, é um reservatório implantando no corpo através de uma cirurgia que injeta o baclofeno de forma contínua ou intermitente diretamente no líquido cefalorraquidiano (líquor).

Qual a diferença entre a bomba de baclofeno e a ingestão via oral?

A bomba de baclofeno é muito mais efetiva no controle dos sintomas da espasticidade, pois a medicação é administrada continuamente, dia e enoite, proporcionando melhor controle da espasticidade.  Além disso, na maioria dos casos, causa menos efeitos colaterais do que o baclofeno via oral, principalmente quando o quadro de espasticidade é grave e são necessárias doses muito altas.

A bomba também permite uma dosagem precisa do baclofeno e a administração de diferentes doses em diferentes momentos do dia.

Quais são os riscos e os efeitos colaterais?

A implantação da bomba de baclofeno é feita através de uma cirurgia com anestesia, portanto, os riscos da cirurgia devem ser levados em consideração. Além disso, é muito raro mas podem ocorrer infecção ao redor do dispositivo e risco de mau funcionamento, porém, os problemas são reversíveis desde que diagnosticados rapidamente.
A bomba precisa ser recarregada em intervalos regulares e o médico responsável precisa reavaliar o paciente periodicamente para se certificar de que o funcionamento está correto.

Antes da colocação da bomba de baclofeno, o paciente passa por um protocolo para que a equipe médica se certifique de que o procedimento realmente será benéfico.

O implante da bomba de baclofeno pode ser feito a partir de 3 anos de idade.



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Mãe também precisa se cuidar!

O estresse pode ter um forte impacto na saúde física e emocional de pais de crianças com deficiência.

A rotina de médicos, terapias e exames, a constante preocupação com a saúde do filho, a privação de sono e os desafios diários podem levar ao estresse e comprometer vários aspectos da vida familiar.

Você precisa cuidar de você. Lembra do alerta de segurança de viagens aéreas de colocar a máscara de oxigênio primeiro em você e só depois em seu filho? É mais ou menos isso. Você precisa estar bem para cuidar dele da melhor maneira possível, mas sabemos que nem sempre é fácil.

Separamos algumas dicas que ajudam na organização das atividades e da rotina. Claro que cada família tem uma rotina e nem tudo é aplicável para todos, mas pode ser que alguma dica ajude!

  • Planeje com antecedência: o sentimento de organização e de que tudo está sob controle causa menos preocupação e sofrimento. Planeje os médicos, os exames e os tratamentos anualmente ou semestralmente. Diariamente tente deixar tudo organizado para o dia seguinte. 
  • Acorde um pouco mais cedo para ter tempo de tomar café da manhã, quem sabe tomar um banho relaxante e fazer as coisas sem pressa. Um pouco de paz e silêncio pela manhã podem ajudar muito.
  • Desacelere: faça alguma atividade que lhe dê prazer, desligue o celular, a TV e o computador. Aproveite os momentos com seu filho sem cobranças. Tenha mais tempo para conversar com a família. Quando você perde o foco, a ansiedade pode aparecer. 
  • Foque no positivo: pense em todas as coisas positivas que aconteceram em cada dia. Este hábito diminui o estresse e a ansiedade. Tente fazer isso todos os dias antes de dormir. Envolva sua família, elogie. Ouvir e dizer coisas positivas fazem um bem danado. 
  • Peça ajuda: muitas vezes não é possível fazer tudo em um dia e as pendências vão acumulando. Isso também gera estresse e ansiedade. Peça ajuda, aceite ajuda. Ter alguém ao lado em momentos turbulentos pode servir como grande conforto emocional.
  • Tenha um tempo para você: faça alguma atividade que você gosta. Tenha um momento para se cuidar, para descansar, para dormir ou mesmo para não fazer nada. 


Esperamos que as dicas acima possam ser de grande ajuda! Comece aos poucos, você não precisa implementar tudo de imediato! Veja o que funciona melhor para você e sua família.


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