quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Pai constrói máquina para ajudar o filho com paralisia cerebral a andar

José Dimas desenvolveu a máquina para o filho Hugo, de 16, que tem paralisia cerebral (imagens: site G1)

Uma máquina de 2 metros de altura e cerca de 40 quilos que simula o movimento de marcha. Foi o que José Dimas da Silva, ambulante de Santa Isabel (SP), foi capaz de criar para ajudar na reabilitação do filho Hugo, de 16 anos. Aos 11 meses, foi diagnosticado com paralisia cerebral, que afetou a parte motora de seus membros inferiores e o impede de conseguir andar sozinha.

A ideia do simulador veio depois que Dimas encontrou na internet um equipamento feito na Argentina por um mecânico para o próprio filho. O ambulante pensou em comprá-lo, mas custaria US$ 30 mil. Mesmo não tendo conhecimentos de mecânica, o pai de Hugo tinha o mesmo combustível que o pai argentino: o desejo de ver o filho caminhando. Investiu R$ 2,5 mil, trabalhou duro no projeto durante vários meses com a ajuda de amigos, até que o aparelho finalmente ficou pronto.

Após tanto esforço, o pai ainda precisava pedir a aprovação dos médicos para que o filho pudesse usar o equipamento."Estava com medo dos médicos recusarem, mas toda a equipe olhou a foto que levei no dia da consulta e gostou", lembra ele. Assim que Hugo se recuperou de uma cirurgia feita no joelho, em julho deste ano, foi liberado para voltar às sessões de fisioterapia e estrear o simulador.

Em pouco tempo de uso todo o esforço já vem dando resultado. De acordo com Silvio Massaki Igarasi, fisioterapeuta que acompanha Hugo, o jovem tem respondido bem ao tratamento, sem dores nas pernas, e com resultados positivos. "Nas últimas vezes ele está sentindo as pernas formingando, o que no caso dele é um sinal de que os nervos estão melhorando a sensibilidade. Depois disso, vem o estímulo motor e a contração muscular. Aí estamos perto para ele conseguir andar”, explica o profissional.

Hugo está animado com o tratamento: “Estou andando pela quarta vez já. Nunca fiz isso. É gostoso e diferente, mas muito bom. Quero mais. Não imaginava que andar mexia todas essas partes”, afirma Hugo.

O fisioterapeuta também lembra que tudo depende das respostas do organismo do paciente aos estímulos, e que é preciso muita persistência. “Tratar o Hugo é bom porque ele é um paciente motivado, que tem força de vontade e procura sempre te ajudar quando precisamos dar uma resposta positiva. Além de tudo, ele tem força para vencer mais essa etapa da paralisia cerebral que é bem complicada. Nem todos os pacientes têm essas respostas que ele está tendo. Ele tem bons resultados apesar da doença,  e chances de um dia andar sem muleta. Mas é preciso muito estímulo. Não temos certeza que ele vai ter toda a recuperação que esperamos, mas depende da persistência”, reforça.

De acordo com Igarasi, isso deve acontecer pelo estímulo que a máquina causa na articulação do tornozelo, do joelho e do quadril. “Apenas com exercício manual não conseguimos isso. O estímulo da máquina é contínuo e ajuda na contração da musculatura. Esperamos então desenvolver mais a área motora do cérebro dele para desenvolver a marcha”, explica.

Força de vontade e motivação é o que não falta para Hugo: "Eu gostei de usar. Gosto de ficar nela. No começo tinha medo de cair, mas depois criei coragem e fui. A vontade de melhorar é maior. Quero sair da cama e devo isso a meu pai também. A sensação das pernas mexendo sozinhas, como se estivesse andando, é gostoso. Com ela, tenho a sensação de liberdade também, porque ali estou caminhando sem as muletas. O Silvio pede que na hora que estou nela me imagine andando de verdade. Aí nessa hora penso que estou caminhando sozinho pela cidade. É um incentivo para ir mais rápido. Hoje acredito que isso possa ser possível mesmo e cada vez mais me orgulho do meu pai”, conclui o jovem.

O pai acompanha todas as sessões de fisioterapia, ajudando na utilização da máquina e animando o filho, com a esperança de que seus primeiros passos independentes estejam próximos de se tornar reais. “Com ela meu filho fez algo que nunca tinha feito na vida e isso que é importante. Já é um sonho realizado, o que vier é lucro. Estamos muito animados. Sofremos juntos e em cada vitória estamos unidos também. O que importa é ver o Hugo feliz e caminhando. Sei que isso não está longe e não posso parar.”

Matéria adaptada do site G1 Mogi e Suzano, de 17.11.2013 - assista ao vídeo

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Dicas de relacionamento com as pessoas com deficiência



A falta de informações detalhadas sobre o universo das pessoas com deficiência cria diversas especulações sobre o assunto e também possibilita o uso de termos que podem ser considerados inapropriados ou equivocados. Por isso, é importante saber um pouco mais sobre o tema.

Em São Paulo, a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida divulga uma série de explicações que podem ser bastante úteis.

Pessoa com deficiência - Há uma associação negativa com a palavra ‘deficiente’, pois denota incapacidade ou inadequação à sociedade. A pessoa não é deficiente, ela ‘tem uma deficiência’. No texto aprovado pela Convenção Internacional para Proteção e Promoção dos Direitos e Dignidades das Pessoas com Deficiência, em 2006, estabeleceu-se a terminologia mais apropriada: Pessoa(s) com Deficiência.

Necessidades especiais - É importante combatermos expressões que tentem atenuar as diferenças, tais como: ‘pessoas com capacidades especiais’, ‘pessoas especiais’ e a mais famosa de todas: ‘pessoas com necessidades especiais’. As ‘diferenças’ têm de ser valorizadas, respeitando-se as ‘necessidades’ de cada pessoa.

Portador - A condição de ter uma deficiência faz parte da pessoa. A pessoa não porta uma deficiência, ela ‘tem uma deficiência’.

Outro erro comum diz respeito à nomenclatura e isso pode, inclusive, provocar constrangimento. Desta forma, todos nós precisamos entender cada tipo de deficiência e saber como identificá-las.

Física - Engloba vários tipos de limitações motoras, como paraplegia, tetraplegia, paralisia cerebral e amputação.

Intelectual – Limitações significativas no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, que aparecem nas habilidades conceituais, sociais e práticas, antes dos 18 anos. A pessoa com deficiência intelectual não é necessariamente considerada incapaz de exercer sua cidadania.

Auditiva – Redução ou ausência da capacidade de ouvir determinados sons em diferentes graus de intensidade. Não é correto utilizar o temo surto-mudo. A pessoa surda ‘fala’ em sua própria língua e com terapia fonoaudiológica pode desenvolver a fala oral.

Visual – Redução ou ausência total da visão, podendo ser dividida em baixa visão ou cegueira. O termo cego pode ser utilizado normalmente.

Surdocegueira – Deficiência única, que apresenta a perda da visão e da audição concomitantemente em diferentes graus.

Múltipla – Associação de duas ou mais deficiências. Ex: deficiência intelectual associada à deficiência física.

Também está publicada no site da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida uma ‘cartilha’ com dicas de relacionamento com as pessoas com deficiência. Confira nas imagens abaixo:

(clique na imagem para visualizar em tamanho maior, e vá clicando novamente para visualizar a próxima página).


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