quarta-feira, 17 de julho de 2013

Série animada retrata aventuras de crianças com deficiência física




Protagonizada por personagens cadeirantes, a série animada As Aventuras de Léca e Seus Amigos foi concebida e dirigida por Paulo Henrique Machado, 45, que desde sua infância mora e é paciente do Hospital das Clínicas, acometido pela paralisia infantil. As histórias retratam a sua infância junto com outras crianças com deficiência física, e foram baseadas no livro “Pulmão de Aço – uma vida no maior hospital do Brasil” (Belaletra Editora, 2012), escrito por Eliana Zagui, sua amiga e companheira de quarto, também residente no hospital desde muito cedo, vítima da pólio.

O primeiro episódio da série está sendo produzido com a ajuda de 1.612 doadores, que doaram os R$ 120 mil necessários para a produção de uma animação 3D. O projeto ainda está recebendo doações para conclusão de todos os episódios.

A proposta é transmitir uma mensagem de inclusão e valorização das diferenças da forma mais natural e genuína possível para as crianças, expondo e encarando as dificuldades existentes como elas realmente são, sem qualquer contorno de culpa, caridade ou vitimização.

Em entrevista à Folha de São Paulo, Paulo relata momentos da sua infância no hospital e como surgiu o sonho de criar a animação baseada em sua experiência de vida:


"Minha mãe morreu dois dias depois que eu nasci. Com um ano e meio, tive paralisia infantil. Vim para o Hospital das Clínicas sem movimento nas pernas e, com o tempo, a paralisia atingiu também meu sistema respiratório. Desde então, dependo do aparelho de respiração artificial para continuar vivo. Aqui no hospital, aprendi a ler e a escrever. Conclui o ensino médio e fiz vários outros cursos de informática e na área de softwares.

Lembro-me de quando era pivete, podia andar de cadeira de rodas pelo hospital e visitar meus amigos em outros quartos. Líamos historinhas infantis uns para os outros. Minha capacidade de respiração foi piorando e eu já não podia mais sair da cama. Eu e mais seis amigos, todos com paralisia infantil, fomos transferidos para um quarto [só ele e Eliana Zagui sobreviveram]. Era uma gangue.

Apesar de estarmos presos às camas, a gente inventava brincadeiras que estimulavam a imaginação. Eu, o Pedro e o Anderson tínhamos movimentação nos braços [as meninas não tinham] e fazíamos pipas para brincar e para vender. O Anderson conseguia soltar da janela do quarto.

Aqui no hospital tive muita oportunidade de fazer coisas que qualquer outra criança podia fazer lá fora, como armar arapucas para pegar passarinho no fundo do terraço. A diferença é aqui a gente só pegava pomba.

Um dia encontrei um gafanhoto e o amarrei com barbante. Fazia de conta que eu era o Pinóquio e ele o grilo falante. Também ganhava “presentes” dos funcionários. Uma atendente me deu uns tatus-bolas. Outro médico que trabalhava aqui, o doutor Giovani, que eu chamava de pai [Paulo tem pai, mas que raramente o visita], me trouxe duas pererecas, aquelas que dão em rio. Eu tentava pegar, e elas pulavam. Foi aquela histeria generalizada na UTI.

Em 1992, pensei o que poderia ter para produzir, criar alguma coisa. Foi quando escrevi uma carta para uma empresa pedindo a doação de um computador. Comecei a estudar informática sozinho. Era um modelo MSX, bem limitado. Em 1994, ganhei meu primeiro PC. 
 
A partir de 2004, lutei, também sozinho, para me profissionalizar na área de 3D. Em 2011, achei que eu precisava de um curso para trabalhar com computação gráfica. Fui atrás do Senac, e o professor veio até o hospital.

Foi aí que pensei numa animação com deficientes físicos. Pensei que as minhas aventuras e dos meus amigos aqui dentro do hospital já dariam um bom roteiro para uma série animada. Ao colocar as histórias das nossas vidas, minha ideia é que as crianças possam assistir e aprender que o deficiente, numa cadeira de rodas, não é tão diferente assim. As histórias também contam sobre passeios que fiz ao Playcenter, ao circo, por exemplo".

A riqueza e as aventuras de cada momento vivenciado por eles já podem ser lidas no livro Pulmão de Aço, de Eliana, em breve poderão ser assistidas nas As Aventuras de Léca e Seus Amigos, de Paulo. Dois grandes exemplos de talento e superação.

Sobre o livro “Pulmão de Aço – Uma Vida no Maior Hospital do Brasil”

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Teatro Cego - Você precisa não ver



O dramaturgo, ator e diretor Paulo Palado adaptou o conto O Grande Viúvo, de Nelson Rodrigues, com uma inusitada proposta. Todo o desenvolvimento da trama acontece em um local completamente escuro, fazendo com que o público tenha que utilizar outros sentidos, como olfato, tato, paladar e audição, para compreender a história.

Com cinco atores, três deles cegos, mais quatro músicos, a montagem cumpre a promessa de inserir o espectador no universo dos deficientes visuais. Completamente no escuro, os atores interpretam em meio aos espectadores, circulando por corredores entre as cadeiras. 

A trama traz a história de um viúvo que, após perder sua esposa, comunica à família que também quer morrer e ser enterrado junto à amada. Para isso, vai construir um mausoléu. A família, inconformada, tenta a todo custo dissuadi-lo do suicídio, e tem apenas o tempo da construção do mausoléu para convencê-lo a desistir. Enfim, encontra uma forma inescrupulosa, inventando calúnias sobre a falecida, para evitar a tragédia. Mas o resultado disso tudo acaba sendo totalmente inesperado para todos.

O espetáculo tem como objetivo inserir o público no universo dos deficientes visuais, que se utilizam dos outros quatro sentidos, somados à intuição, para compreenderem o mundo ao seu redor. Durante a peça, sons, vozes e cheiros chegam aos espectadores vindos sempre de locais diferentes, dando a sensação de que eles estão realmente inseridos no ambiente cênico. Tais sensações serão o caminho para a compreensão da trama, mesmo ela ocorrendo completamente no escuro.


O que: Teatro Cego – O Grande Viúvo
Onde: Tucarena – Teatro da PUC-SP: Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes, SP – (11)
Quando: de 14 de junho à 28 de julho de 2013
Horário: sextas às 21h30, sábados às 21h e domingos às 19h
Espetáculo não recomendado para menores de 14 anos

Veja abaixo depoimento dos atores da peça falando sobre a experiência de atuação no Teatro Cego.

"Muitas pessoas dizem que os olhos são as janelas da alma. A mim foram tiradas as possibilidades de enxergar 'através dessas janelas. Mas isso nunca significou que outras portas e portões não fossem abertos na minha vida"
. Giovanna Maira, cantora lírica, atriz e deficiente visual


"Um ator com deficiência vai sempre assumir essa condição no seu personagem. Já no Teatro Cego, isso é muito diferente, é muito louco pra mim, porque eu faço o papel de uma pessoa que enxerga. A plateia também não tem como saber na hora que ator enxerga e que ator não enxerga, e isso é bem divertido". Sara Bentes, cantora, atriz e deficiente visual

"Quando as luzes se apagam, nós somos todos iguais". Paulo Palado, ator e diretor da peça.


sexta-feira, 5 de julho de 2013

5º Encontro de Tecnologia e Inovação para Pessoas com Deficiência em SP

Feira de Reabilitação acontece simultânea ao Encontro de Tecnologia e Inovação

São Paulo será palco de mais dois eventos voltados para melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência. De 31 de julho a 02 de agosto, acontecem na capital paulista o 5º Encontro de Tecnologia e Inovação para as Pessoas com Deficiência e a Reabilitação - Feira + Fórum, no Centro de Convenções Anhembi.

Este ano, a temática do Encontro é a “Tecnologia Assistiva nos Serviços ao Público”. O evento conta ainda com o Seminário Internacional e Exposição de Inovação em Tecnologias Assistivas, reunindo palestrantes e expositores de diversos países e do Brasil.
Desde sua criação em 2009, este Encontro promove a discussão sobre o universo das tecnologias, buscando multiplicar os canais de informação sobre produtos assistivos e estimular a pesquisa e inovação. 

De acordo com a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que organiza o encontro, a proposta é reunir profissionais de saúde, órgãos governamentais, empresas, entidades da sociedade civil e pessoas com deficiência e familiares. 

Também está voltado à elaboração de estratégias e políticas públicas que visem à igualdade de oportunidades, em busca de uma sociedade inclusiva, onde a deficiência é minimizada e o exercício da cidadania é assegurado pelas facilidades e inovações tecnológicas.


SERVIÇO

5º Encontro Internacional de Tecnologia e Inovação
Data: de 31 de julho a 02 de agosto
Horário: 31 de julho – 10h00 – 01 e 02 de agosto – 09h00
Local: Centro de Convenções Anhembi
Endereço: Av. Olavo Fontoura, 1209 - Pq. Anhembi – Santana – SP

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Dois irmãos triatletas dão um exemplo de inclusão ao mundo


Connor e Cayden são irmãos e triatletas. Os dois compartilham o amor um pelo outro, pelo esporte e ainda dão um grande exemplo de inclusão ao mundo. Cayden tem paralisia cerebral e participa de todas as competições junto com o irmão.



"Eles descobriram o amor juntos, a sua paixão. Desde aquela primeira corrida eles criaram um vínculo mais forte, em um nível diferente, que eu não consigo nem explicar". - Jenny Long, mãe de Connor e Cayden


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