quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Áreas de Atuação e Metodologia

Investimos e acreditamos na combinação de diferentes abordagens terapêuticas direcionadas para a realidade de cada pessoa e sua família. Nossa missão é buscar a integração, inclusão e autonomia do portador de necessidades especiais e seus familiares no seu meio sócio-cultural.

 Nossos setores:

  • Fisioterapia Motora (infantil e adulta)
  • Estimulação Precoce para Prematuros, Recém Nascidos e Bebês
  • Fisioterapia Respiratória
  • RPG (Reeducação Postural Global)
  • Terapia Ocupacional (Infantil e Adulta)
  • Fonoaudiologia (Infantil e Adulta)
  • Integração Sensorial
  • Psicologia (Infantil e Adulta)
  • Psicopedagogia
  • TCS (Terapia Cranio-Sacral)
  • Pilates em Neurologia
  • Disturbio de Aprendizagem (Avaliação multidisciplinar, Avaliação Neuropsicologica)
  • Audiologia: Audiometria; Imitanciometria e Avaliação e Terapia do Processamento Auditivo)
 
Métodos e técnicas:
  • Método Bobath
  • Método Kabat
  • Método Vojta
  • Educação Condutiva (Método Petö)
  •  Integração Sensorial
  •  R P G
  •  Método Integral
  •  Comunicação Suplementar e/ou Alternativa
  •  Ludoterapia
  •  Psicopedagogia
  •  Psicomotricidade
  •  Terapia/Orientação Familiar
  •  Técnicas Especializadas em Deficiência Visual
  •  Pilates em Neurologia





Planos de saúde atendidos

Atenção: Não atendemos casos ortopédicos.

  • Amico
  • Amil
  • Bradesco Saúde (apenas funcionários do Banco Real e seus dependentes)
  • Care Plus
  • Economus
  • Gama Saúde
  • Itaú - Fundação Pampulha
  • LINCX
  • Medial
  • MediService
  • CET
  • Omint
  • Petrobrás
  • Plamtel
  • Prodam
  • Prodesp
  • Unibanco Saúde

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

ESTUDO DE PILATES EM ESCLEROSE MULTIPLA


Iniciamos um estudo para avaliar a eficácia dos exercícios baseados nos pricípios de Pilates Solo com pacientes portadores de esclerose múltipla. Caso haja interesse por favor entrar em contato com a clínica com Martha Cecily B. Chaim.



PILATES NA REABILITAÇÃO FÍSICA

Publicada em: 01/12/2010

Pessoas portadoras de deficiência física, com lesão desde o nascimento ou adquirida posteriormente, apresentam certas características que as levam a modificar suas atividades diárias. Entre essas características destacam-se:

a) Alterações motoras, ou seja, mudança na força muscular, na flexibilidade e na própria marcha;

b) Alteração da sensibilidade, na qual há, por exemplo, perda da precisão do movimento, ou ainda, a não percepção da localização exata de um membro;

c) Aumento de quedas por alteração de equilíbrio; ou dificuldade de andar como por exemplo andar e olhar a paisagem simultaneamente

d) Perda da funcionabilidade dos movimentos, com falta de controle preciso, sendo que estes não fluem harmoniosamente.

Perdem a funcionabilidade dos movimentos, instalam-se compensações e ultimamente a ERGONOMIA corporal fica comprometida. Em outras palavras, gastam mais energia para realizar determinados exercícios, acometendo a autonomia e a independência. Esta energia gasta demasiadamente é vista tanto nas compensações com no uso exagerado de outros grupos musculares durante os exercícios (como nas garras não patológicas/ dedos das mãos cerradas/ apnéia).

Há um desequilíbrio muscular que pode levar a um desequilíbrio postural, com conseqüente perda de equilíbrio e mobilidade. Há crescente medo em realizar algumas atividades, podendo levar até a quedas. A dificuldade muitas vezes é desanimadora e permanente.

Num ciclo vicioso, há aumento das compensações (com maior gasto de energia) que leva a aumento do desequilíbrio tanto muscular, como proprioceptivo e de conscientização o que leva a menor ergonomia e assim por diante.

Segundo Pilates é importante e possível “produzir um corpo uniformemente condicionado, flexível e forte a partir do controle total da mente.”

O Pilates na reabilitação neurológica oferece ao paciente uma adequação deste quadro; ensina como movimentar melhor os membros através de exercícios que, inicialmente, tem o objetivo de fortalecer o "centro ou cinturão": este está localizado no centro do tronco, basicamente na região lombar. O método Pilates prega que este centro tende a proteger a coluna que suporta cerca de 75 % do peso corporal. A partir deste fato, uma vez a coluna lombar protegida e estável, os movimentos dos membros se tornam mais fácies, mais fluidos e mais ergonômicos. Através do método Pilates é possível trabalhar de modo efetivo a atuação destes músculos estabilizadores, “isolando” os movimentos do tronco e dos membros. Os pacientes poderão aprender a utilizar os movimentos de modo mais isolado, utilizando somente os músculos necessários. Consequentemente o esforço necessário para movê-los será bem menor.

Todos os exercícios exigem muita concentração; são associados à respiração, com poucas repetições, são lentos e não levam à fadiga. Os movimentos involuntários que aparecem com o aumento da dificuldade da tarefa podem diminuir, pois através do método Pilates é solicitada a contração apenas do músculo necessário, os demais permanecendo relaxados.

O tratamento é todo adaptado para deficiência neurológica e os resultados podem ser sentidos e observados em poucas sessões.



Martha Cecily B. Chaim

domingo, 12 de setembro de 2010

Como o portador de disfunção neuromotora aprende?




Cristiana Lunardi
Fonoaudióloga / Psicopedagoga
Crfa 7521


Ao falarmos sobre aprendizagem no portador de disfunção neuromotora, precisamos primeiramente refletir sobre dois aspectos importantes relacionados ao tema: como se aprende e como se transmite o conhecimento. 

Tradicionalmente, considerou-se que aprendizagem era um processo consciente e produto da inteligência, não dando ênfase ao corpo e ao desejo. Seguindo a teoria psicopedagógica, acreditamos que pelo menos quatro níveis entram em cena na hora da aprendizagem: seu organismo individual herdado; seu corpo constituído; sua inteligência autoconstruída e o desejo.

Quando falamos em corpo e organismo, estamos nos referindo ao que nos é hereditário (organismo) e o que  é apreendido (corpo), pois pelo corpo nos apropriamos do organismo. A respiração, por exemplo, é um comportamento de efeito orgânico, já a emissão de palavras é uma coordenação que tem que ser aprendida, portanto passa pelo corpo. É importante lembrar que o corpo acumula experiências, adquire novas aquisições, automatiza o movimento que dá lugar à aprendizagem. Pelo corpo nos apropriamos do organismo. Não há aprendizagem que não seja registrada pelo corpo.

Nos níveis da inteligência e do desejo, no processo de aprendizagem, relacionamos aos níveis do lógico e do símbolo no sujeito. No nível lógico, nos referimos à inteligência como uma estrutura lógica onde o pensamento põe-se a ação. Segundo Piaget, a ação é o ponto de partida para a estruturação e organização do pensamento. Para ele, a construção real do conhecimento depende da ação do sujeito em obter uma organização cognitiva que não depende nem de causas genéticas nem impostas pelo estímulo exterior. Enquanto a inteligência tende a objetivar, buscar, generalizar, classificar e ordenar, o nível simbólico (desejo) é o que organiza a vida afetiva e a vida das significações. A linguagem, os gestos, o afeto dão significados à vida e por meio destas significações é que vai se moldando o sujeito, como ele age no mundo e como o sente. Neste nível estão incluídos o que chamamos de emoções, afetividade e inconsciente.

Partindo do pressuposto que para aprender necessitamos destes quatro níveis, o conhecimento não pode ser transmitido em bloco. Necessariamente na aprendizagem entram em jogo dois personagens: o ensinante e o aprendente, que acreditamos carregar suas histórias de aprendizagem e que se confrontam no cenário da educação. Portanto, ao ensinar, o educador está se vinculando ao aprendente por meio dos seus quatro níveis de elaboração (orgânico, corporal, intelectual e desejante), que por sua vez entra em contato com os quatro níveis do aprendente, fazendo com que ocorra a aprendizagem.

Modalidade de aprendizagem


Para aprender, podemos observar que cada um de nós tem uma modalidade de aprendizagem particular, ou seja, temos formas especificas e individuais de entrar em contato com o conhecimento e construir nosso saber. A modalidade de aprendizagem age como uma matriz, um molde e assim operamos nas diferentes situações no aprender. 

Em uma aprendizagem normal ou sadia, se pressupõe que haja harmonia nos movimentos assimilativos e acomodativos. Para o aprender é necessário que ocorra dois esquemas: a assimilação e a acomodação. O primeiro refere-se a tudo que nosso organismo possa incorporar a todos os esquemas e ações na qual estamos sujeitos ao entrarmos em contato com o externo. E o segundo esquema é tudo que se transforma ao ser incorporado pelo organismo, dando novas significações e contexto ao conteúdo recém adquirido.

Ao falarmos de crianças e adolescentes portadoras de disfunção neuromotora, estamos nos referindo a sujeitos que já entram no processo de aprendizagem com defasagem, uma vez que sabemos que carregam disfunções importantes nos quatro níveis de elaboração. Ou seja, já nascem com alterações orgânicas que interferem no aprender do seu corpo e, conseqüentemente, apresentam lacunas importantes para sua inteligência e seu corpo emocional.

É importante entender como eles aprendem e com que tipo de modalidade de aprendizagem estamos lidando, para que consigamos favorecer e possibilitar seu processo ensino-aprendizagem. Sabendo que sua modalidade de aprendizagem segue em um ritmo e modelo diferenciado, portanto, necessitamos de uma mudança de paradigma. Olhar o aluno pelo que ele consegue fazer e não pelas suas dificuldades, pois estas nós já conhecemos, e lidando com as nossas expectativas, pois também carregamos uma história no aprender, que muitas vezes não corresponde à história de aprendizagem do meu aluno. 

Vale ressaltar a importância do suporte terapêutico para dar os subsídios necessários a este aluno no momento da sua aprendizagem. Definir o programa e as prioridades na escolha da terapia é fundamental para o sucesso do aprendente. 

Intervenção Psicopedagógica


Para o processo de inclusão, é importante estarmos atentos para as atuações do professor na inserção do aluno dentro de sala de aula.

É necessário nos atermos aos seguintes aspectos:

- Adaptação curricular (conteúdo);

- Utilização de recursos facilitadores (calculadora, gabaritos, material concreto, etc.) ;

- Uso de adaptações que auxiliem a ação do aluno no processo ensino-aprendizagem;

- Adaptação da lição de casa;

Devemos nos preocupar com os acertos do nosso aluno e não com o que ele não consegue fazer. Para isto, temos que adaptar o conteúdo, muitas vezes diminuindo ou até mesmo diferenciando do material do grupo. Isto não significa que ele não faz parte do grupo, mas sim que ele necessita de intervenções diferenciadas para que esteja incluído no contexto escolar. Não devemos ter medo de falar sobre a diferença, ela existe e sempre fará parte do grupo. Devemos falar sobre o assunto levantando as angústias e dúvidas do grupo, da escola e da família, para que a inclusão possa começar a se tornar real.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

PARALISIA CEREBRAL


Muitos pais ficam chocados quando ouvem do médico que seu filho tem Paralisia Cerebral. Este termo é realmente assustador se pararmos para pensar ao pé da letra, pois ao ouvir paralisia logo vem a cabeça algo que parou de funcionar e logo o cérebro que é um órgão tão importante. O que ocorrerá se ele realmente paralisar? Calma lá, o termo Paralisia Cerebral está meio que ultrapassado apesar de ainda ser muito utilizado.

Paralisia cerebral ou encefalopatia crônica não progressiva é uma lesão de uma ou mais partes do cérebro, provocada muitas vezes pela falta de oxigenação das células cerebrais.

Acontece durante a gestação, no momento do parto ou após o nascimento, ainda no processo de amadurecimento do cérebro da criança. É importante saber que o portador possui inteligência normal (a não ser que a lesão tenha afetado áreas do cérebro responsáveis pelo pensamento e pela memória).

Mas se a visão ou a audição forem prejudicadas, a pessoa poderá ter dificuldades para entender as informações como são transmitidas; se os músculos da fala forem atingidos, haverá dificuldade para comunicar seus pensamentos ou necessidades. Quando tais fatos são observados, o portador de paralisia cerebral pode ser erroneamente classificado como deficiente mental ou não-inteligente.

Segundo Schwartzman (1993) e Souza & Ferraretto (1998)1, a PC pode ser classificada por: Tipo de disfunção motora extrapiramidal ou discinético (Atetóide, coréico e distônico), atáxico, misto e espástico; ou pela topografia das lesões (Localização no corpo), que inclui tetraplegia, monoplegia, diplegia e hemiplegia. Na "PC", a forma espástica é a mais encontrada e freqüente em 88% dos casos.3, 4

Aqui cabe um parentese: O que é o tônus muscular? Em palavras simples é o grau de tensão que o músculo apresenta, por exemplo se a criança tem um tônus mais alto, hipertônico, ela é uma criança mais “rígida”, “durinha”, que não consegue relaxar simultaneamente o músculo contrario ao movimento e contrair o músculo que realiza o movimento; já uma criança que tem um tônus mais baixo, hipotônico, é aquela criança “molinha” que muitas vezes demora para realizar o movimento por não ter um grau de tensão necessário para a contração.


Quanto a disfunção motora:


• Atetoide  Caracterizada por movimentos involuntários, Neste tipo, os movimentos são involuntários devido a um estimulo ineficaz e exagerado que o cérebro envia ao músculo não sendo capaz de manter um padrão. É aquela criança que tem movimentos exagerados e bruscos. Normalmente os atetoides são crianças bastante inteligentes que com o crescimento buscam maneiras de controlar sua movimentação exagerada e descoordenada.

• Coreico: Acomete crianças e jovens do sexo feminino com movimentos involuntários e descoordenados dos membros e dos músculos da face (Dança de S. Guido).

• Distônico: Incoordenação do tônus muscular. É aquela criança que tem dificuldade em manter um tônus mais próximo do normal, ela vai as vezes de um tônus muito alto para um tônus muito baixo.

• Atáxico: Dificuldade de coordenação motora (Tremores ao realizar um movimento).


• Mistos: Quando apresentam pelo menos dois tipos associados de alteração do movimento (Exemplo: espástico e atetóide)

• Espástico: Ocorre uma lesão do córtex cerebral, diminuindo a força muscular e aumentando o tônus muscular. A tensão muscular encontra-se aumentada notada ao realizar algum alongamento da musculatura ou mesmo um estiramento. São aquelas crianças mais “tensas”, “rígidas”, que não conseguem relaxar o músculo contrario ao músculo que realiza o movimento. Um músculo com um tônus aumentado não será necessariamente um músculo forte.

Quanto a topografia da lesão

• Tetraplegia (Hemiplegia bilateral ou quadriplegia): Ocorrendo em 9 a 43% dos casos, com lesões difusas bilateral no sistema piramidal apresentando tetraparesia espástica com retrações em semiflexão severas, síndrome pseudobulbar (hipomimia, disfagia e disartria), e até microcefalia, deficiência mental e epilepsia. São aquelas crianças que tem um comprometimento global, tanto os membros inferiores, como os membro superiores são comprometidos.

• Diplegia: Surge em 10 a 30 % dos pacientes, sendo mais comum em prematuros, comprometendo os membros inferiores, podendo apresentar hipertonia dos músculos Adutores, denominado síndrome de Little (Cruzamento dos membros inferiores e marcha "em tesoura"). Existem vários graus para classificar a intensidade do distúrbio, podendo ser pouco afetado (Com um prognóstico bom, sendo capaz de se adaptar à vida diária) ou graves com limitações funcionais. Ao 1º ano de vida, a criança pode se apresentar hipotônica, passando para distonia intermitente, com tendência ao opistótono quando estimulada. Nos casos mais graves a criança pode permanecer num destes estágios por toda a sua vida, porém geralmente passa a exibir hipertonia espástica, inicialmente extensora e, finalmente, com graves retrações semiflexoras. São aquelas crianças em que normalmente os membros inferiores são mais comprometidos que os membros superiores.

• Hemiplegia: É a mais comum de todas, comprometendo mais o membro superior; acompanhada de espasticidade, hiper-reflexia e sinal de Babinski. O padrão hemiplégico caracteriza-se pela postura semiflexora do membro superior, com o membro inferior hiperestendido e aduzido, e o pé em postura equinovara, podendo aparecer ser encontrado hipotrofia dos segmentos acometidos, hemi-hipoestesia ou hemianopsia. São aquelas crianças que tem um comprometimento em um dos lados do corpo, o membro inferior e o membro superior do mesmo lado são afetados.

(texto em azul foi extraido da Wikipédia, a enciclopédia livre.)

De acordo com minha experiencia observei que cada caso é um caso, duas crianças com lesões muito parecidas podem responder de maneiras muito diferentes e isto tem muito haver com os estímulos externos que esta criança recebe e que irão fazer com que ela se mobilize internamente para alcançar seus objetivos e vencer suas dificuldades. Quando digo estímulos que recebe é muito importante enfatizar a qualidade dos estímulos em relação a quantidade de estímulos. A criança aprende a interagir muito mais quando o que ela está recebendo é do seu interesse e faz parte do seu dia a dia.

Muitos casos apresentam uma evolução surpreendente que não esperavamos se levassemos em conta apenas seus exames clínicos.

É preciso ter paciência e seguir um dia após o outro, valorizando e descobrindo as formas de interação desta criança. Muitas vezes o que para nós pode parecer insignificante para ela é o inicio da busca de se fazer mais presente e inserida no seu meio.

Portanto pais, quando vocês ouvirem que seu filho tem Paralisia Cerebral, não se desesperem e saibam que seu filho terá muito o que oferecer para vocês, basta vocês estarem abertos para receber o que eles tem de melhor, tenham paciência para compreendê-los e tenham o tempo de espera para que ele demonstre sua ação e interação. Com estas dicas acredito que o “fardo” carregado será bem mais leve e vocês poderão ser mais felizes.


Valéria L. A. Guerrero

Fisioterapeuta - CREFITO 9099/F
Grhau

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Tratamento das alterações no processamento auditivo central




Claudia Taccolini Manzoni
Fonoaudióloga, especialista em Audiologia


A alteração de processamento auditivo é uma dificuldade em compreender a informação que chega à via auditiva. A capacidade de escutar está preservada, porém a habilidade em interpretar e compreender os sons que chegam até nós está comprometida. Esta inabilidade em analisar os sons dificulta a compreensão da mensagem interferindo principalmente em ambientes ruidosos ou em situações da fala rápida ou baixa.


A criança com alteração do processamento auditivo pode apresentar:

  • Falta de atenção
  • Dificuldades de memorização
  • Vocabulário restrito
  • Dificuldade na leitura e escrita
  • Trocas de fonemas na fala ou na escrita
  • Dificuldade de compreensão
  • Dificuldade de aprendizagem


CONCEITUAÇÃO

O processamento auditivo refere-se a uma série de mecanismos fisiológicos que ocorrem no sistema auditivo periférico e central que o indivíduo realiza ao lidar com informações sonoras, analisando e interpretando-as, permitindo assim adquirir conhecimento por meio da audição.

A cóclea, órgão sensorial da audição, encontra-se madura ao redor da 20ª semana de gestação. No entanto, há uma gradativa diferenciação e especialização da forma como respondemos aos sons, em função do processo de maturação do sistema nervoso e das experiências auditivas que vão sendo vivenciadas. Para o completo desenvolvimento das habilidades perceptuais auditivas envolvidas na compreensão de linguagem, a neuromaturação estende-se até por volta dos 12 anos de idade.


TRANSTORNO DO PROCESSAMENTO AUDITIVO

A alteração do processamento auditivo ou transtorno do processamento auditivo é uma dificuldade em lidar com as informações que chegam via o sentido da audição. Assim, há uma boa capacidade de detectar sons, mas existe dificuldade com a clareza desses sons. Esta inabilidade de analisar e interpretar sons ocasiona:
  • Incerteza com relação ao que se ouve;
  • Dificuldade para entender na presença ruídos de fundo;
  • Dificuldade para seguir ordens oralmente;
  • Dificuldade para compreender fala rápida ou degradada;
  • Dificuldade para discriminar e identificar sons de fala.

A alteração do processamento auditivo pode estar associada a problemas na articulação da fala, expressão oral, trocas de letras na escrita, compreensão de leitura e até mesmo com o aprendizado de línguas estrangeiras.


MANIFESTAÇÕES:
  • Comportamento auditivo: resposta inconsistente a sons;
  • Dificuldade de localizar sons no espaço;
  • Desconforto a sons intensos;
  • Demora a responder quando chamado;
  • Compreensão de fala: fala muito “hã?”, “quê?”, principalmente em ambientes ruidosos ou reverberantes;
  • Dificuldade na compreensão de piadas e/ou palavras de duplo sentido.


REPERCUSSÕES
  • Todas as áreas da linguagem: articulação/fala, prosódia, vocabulário, semântica, sintaxe, uso de regras gramaticais, leitura/escrita, aquisição de língua estrangeira;
  • Comportamento social: distraído, desatento, agitado ou muito quieto, tendência a isolar-se, baixa autoestima;
  • Outras: memória, aprendizagem, habilidades de consciência fonológica, aprendizado da leitura e da escrita.

COMO É FEITA A AVALIAÇÃO:

A avaliação do processamento auditivo pode ser realizada em adultos, jovens e crianças a partir de 4 anos de idade e que têm o português como língua materna.

Para essa avaliação, é necessária a prévia realização da avaliação audiológica convencional, composta dos testes de audiometria, logoaudiometria e imitanciometria. A avaliação audiológica convencional deve ser recente ou repetida antes da avaliação do processamento auditivo. Este cuidado deve ser especialmente observado nos casos com histórico de otites de repetição e disfunção da tuba auditiva, freqüentemente associados a quadros crônicos de vias aéreas superiores.

A avaliação do processamento auditivo é composta por um conjunto de cinco a quinze testes, podendo ser necessário uma segunda sessão de avaliação. A seleção dos testes é baseada na maturação de sistema nervoso central esperada para a idade.

Os testes são realizados em ambiente acústico e os resultados comparados com os critérios de normalidade estabelecidos por Pereira & Schochat, 1997. São avaliadas habilidades perceptuais envolvidas no processamento da informação sonora pela via auditiva, como detecção, localização e lateralização, discriminação, reconhecimento, memória, aspectos temporais, fechamento (performance auditiva com sinais acústicos degradados) e figura-fundo (performance auditiva com sinais acústicos competitivos). A avaliação destas habilidades permite realizar inferências quanto à habilidade de compreensão de linguagem.



São testes especiais para avaliação do processamento auditivo, entre outros:
  • teste de localização sonora
  • teste de memória sequencial verbal
  • teste de memória sequencial não verbal
  • teste de fala com ruído
  • teste de fala filtrada
  • teste de fusão binaural
  • teste de identificação de sentenças com mensagem competitiva (PSI/SSI)
  • teste dicótico de dígitos
  • teste dicótico consoante-vogal
  • teste dicótico de dissílabos alternados (SSW em português)
  • teste dicótico não verbal
  • teste de resolução temporal/detecção de gap 
  • teste de padrão de frequência
  • teste de padrão de duração

Devem ser encaminhados para avaliação do processamento auditivo os casos que apresentarem queixa ou suspeita do transtorno de processamento auditivo, observando-se o quadro clínico e a presença de manifestações sugestivas.


PREVENÇÃO

Considerando a alta incidência da deficiência auditiva e a importância da audição no desenvolvimento de fala e linguagem, é crescente a realização da triagem auditiva neonatal em maternidades e berçários de risco. No entanto, é de fundamental importância realizar o acompanhamento do desenvolvimento da função auditiva e de linguagem em todas as etapas do desenvolvimento infantil, principalmente em crianças com indicadores de risco para o transtorno do processamento auditivo e em pré-escolares e escolares, devido à estreita relação com o aprendizado da leitura e escrita.



INDICADORES DE RISCO

  • Antecedente familiar de transtorno do processamento auditivo
  • Consangüinidade
  • Infecções congênitas: rubéola, sífilis, citomegalovírus, toxoplasmose, herpes e AIDS
  • Muito baixo peso (< 1500g) e/ou criança PIG
  • Asfixia
  • Hiperbilirrubinemia
  • Hemorragia peri intra ventricular
  • Meningite 
  • Ventilação mecânica prolongada
  • Convulsões
  • Alcoolismo materno ou uso drogas psicotrópicas durante a gestação
  • Otites de repetição no primeiro ano de vida

Os bebês que apresentam algum dos indicadores de risco acima citados devem ser acompanhados periodicamente, sendo que são características sugestivas de transtorno do processamento auditivo nesta faixa etária:

  • Inconsistência de respostas para tons puros;
  • Incompreensão de ordens verbais;
  • Respostas exacerbadas a sons;
  • Aumento da latência de resposta aos sons;
  • Dificuldade de localização com acuidade normal;
  • Ausência de habituação a estímulos repetidos;
  • Reflexo cócleo-palpebral ausente com acuidade auditiva normal.


(RE)HABILITAÇÃO

A (re)habilitação do transtorno do processamento auditivo é baseada em princípios de neuromaturação e neuroplasticidade do sistema auditivo e o programa terapêutico fonoaudiológico engloba:

  • Treinamento das habilidades auditivas, treino auditivo formal;
  • Desenvolvimento de habilidades cognitivas;
  • Desenvolvimento das habilidades lingüísticas específicas e metalingüísticas;
  • Conhecimento das habilidades metacognitivas;
  • Adaptações no ambiente;
  • Uso de estratégias compensatórias.


O Grhau possui uma equipe de fonoaudiologia especializada em tratar as alterações do Processamento Auditivo através de uma abordagem que enfatiza o desenvolvimento das habilidades auditivas


A orientação familiar e escolar é fundamental para o sucesso do programa terapêutico, priorizando as modificações no ambiente e estratégias necessárias para o melhor desempenho da criança.

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